
Com aquela disposição própria das mulheres quando querem mostrar a si próprias algumas coisas, com coragem comecei a fazer barrela geral
Com vassoura na mão comecei por vasculhar aquelas coisas impróprias nos cantinhos, dos pensamentos mais altos até eles (os pensamentos) ficaram mirradinhos.
De seguida ataquei de aspirador, foi um regalo desviar e limpar olhares que doeram, levantar palavras que machucaram, sacudir lágrimas que estavam escondidas.
Depois sentei-me convencida que já estava tudo
Acendi um cigarro, comecei a admirar a minha obra e franzi o nariz:
- Naaaaaaaã ainda nem começas – te
Danada apaguei o cigarro e de balde mais esfregona na mão ameacei:
- Nem penses que te ficas a rir PASSADO
Até o Sr. Diabo ficou de queixo caído
Decidida recomecei
Ele foi os cantinhos cobertos de medos bem miudinhos todos raspadinhos com ponta de faca, os rodapés bem esfregados até os pequenos deslizes aos pecaminosos ficarem perdoados, os vidros… bem esses foi como se tivessem deixado de existir ao ponto de ver melhor os NÂOS que me foram ditos a tempo e de grande valia.
Chegou a vez da senhora banheira aquela que me beija as dores em ferida e me faz sentir ainda dentro do útero.
Com carinho e primor a limpei como se fosse uma mãe velhinha.
Logo de seguida era a vez do senhor fogão
- Com que então nódoas de vinganças. Abri a porta do forno ah ah manchas de ódio
Sem dó nem piedade o esfregão trabalhou até ficar desconjuntado.
Os azulejos não esperaram muito, até ficarem a brilhar onde eu podia ver até doer o que EU permiti que me fizessem
Era a hora da chaminé
- A rir não ficas - prometi
Do alto do escadote feita equilibrista mancha alguma ficou
No fim de contas como podia eu ouvir a voz da razão e respirar o ar do bom senso com aquela chaminé de imitação?
Derrotas embrulhadas e muito bem arrumadas em gavetas especiais
Vitórias foram postas em lugares de destaque
Confiança e segurança em jarras perfumavam e coloriam
Para tráz olhei, passeavam pela minha cara lágrimas que sorriam, despedi - me do meu passado